Uma ideia fabulosa: a possibilidade de edição, em tempo real (mais ou menos ), de um feed de imagens provenientes de 12 câmaras diferentes que registam um concerto dos Radiohead.
Para memória futura, podem visualizar a minha edição seleccionado a opção RAINBOWS -> LPEDRO. Desde já aviso que a edição resultou mais do conhecimento que tenho da música original do que da tentativa de acompanhamento das imagens do concerto. Mas foi apenas a 1ª tentativa.
Tal como dizia o poeta-às vezes-publicitário, esta sensação primeiro estranha-se mas depois entranha-se.
Nunca fui um grande adepto do designado “Modern Rock”. Em termos práticos, a aparente desagregação rítmica até é um fenómeno interessante mas continuo a considerar a própria desagregação e a desordem (mesmo que, aparentemente, ordenada) como elementos fulcrais em termos musicais.
No entanto, e como tenho vindo repetidamente a afirmar noutros posts, a música é muito mais que uma soma de elementos tangíveis. E como a maioria das músicas que mais gostamos assume significados próprios pela ligação - muitas vezes inconsciente - a experiências ou a alturas especiais das nossas vidas, deixo aqui mais uma recordação.
Como muitas outras recordações, os dados que a definem são dispersos e fragmentados. Uma vez mais o que interessa não é a mensagem, a letra ou a secção rítmica. É o conjunto de imagens e sentimentos que lhes associamos.
Quando era mais novo, passava dias inteiros com os meus amigos a ouvir BritPop, a discutir os artigos da revista K e a dissertar sobre a natureza do Inverno.
Num desses dias, inspirados por uma crónica magnífica do Miguel Esteves Cardoso, demos por nós a discutir um argumento insólito mas apaixonante: a afinidade de pensamento entre Morrissey e Camões. Sim, leram bem: Morrissey e Camões.
Bom, vou abster-me de colocar aqui o teor integral da conversa mas dou-vos uma pista: será que, descontadas as diferenças culturais e temporais, “There’s a light and it never goes out” e “Alma minha gentil que te partiste” são 2 expressões escritas de uma mesma alma?
Ultimamente tem-se falado bastante do último álbum dos Radiohead, “In Rainbows”. Dada a opção dos Radiohead em vender, numa primeira fase, o álbum directamente na Internet, a discussão acerca deste modelo de negócio e, de uma forma geral, acerca de DRM tem feito correr muita tinta em muito lado.
Mas, neste momento, interessa-me falar acerca da música. E a esse nível, tal como é dito na letra da música que se segue, “there is nothing to explain”. A não ser, talvez, que anda muito perto da genialidade.
Antes de tudo, uma clarificação importante.
A verdade é que sou um grande fã da música desta senhora. Talvez por isso - pelo receio de ser pouco imparcial e de poder, inadvertidamente, mostrar uma admiração praticamente saloia - tenho vindo a adiar, consecutivamente, a decisão de escrever um post acerca da PJ Harvey.
Mas chegou a altura de o fazer. Para evitar problemas de maior, digo já do que é gosto menos no seu trabalho.
Os álbuns mais recentes da PJ Harvey são, desde “Is this Desire”, menos crús, menos agressivos e menos despojados.
E, tendencialmente, eu gosto de acordes duros e pouco rendilhados, sem remisturas e trabalho de estúdio. E de vozes poderosas e atormentadas, de conjugações rítmicas que, por se limitarem ao indispensável, nos dão algum espaço criativo enquanto ouvintes e nos deixam, por esse motivo, ser praticamente co-autores do que ouvimos.
No entanto, nos últimos anos, a estrutura do projecto musical da PJ Harvey tem vindo a mudar. Em traços gerais, este tem-se mostrado mais refinado, mais polido, mais trabalhado. Aparentemente, menos espontâneo.
Em termos pessoais, o essencial no que diz respeito à música da PJ Harvey é que apenas mudou a fonte do arrepio na espinha. Se antes essa sensação era provocada pelo giz afiado no quadro, agora insinua-se como o tabaco: entra no corpo e permanece por pouco tempo, como que a exigir (uma e) mais uma audição.
Aqui ficam alguns vídeos que ilustram estas 2 formas - distintas mas reais - de arrepios na espinha.
O programa chillout da vh1 é um dos grandes responsáveis pela minha (questionável, eu sei) sanidade mental. O simples facto de poder estar a trabalhar com o som de fundo deste programa ameniza embaraços maiores provocados quer pela idade quer, sobretudo, pelo sono.
Um destes dias, o ruído de fundo - muito ao longe - da televisão captou a minha atenção. A música em causa é da autoria de Ane Brun, uma cantora Norueguesa que a maioria conhece de colaborações com algumas bandas, nomeadamente com os Koop.
Nada de muito profundo, mas interessante e ritmado. Ou seja, os ingredientes necessários para a manutenção de uma sanidade mental minimamente aceitável.