Archive for the 'Canhanhos com interesse' Category

Programação: a nova literacia

Segundo Stephen Downes, que cita Doug Holton que, por seu turno, cita Mark Prensky, podemos estar a assistir a uma viragem muito interessante em termos educativos/epistemológicos em que a programação pode ser a nova literacia para um novo século: “the single skill that will, above all others, distinguish a literate person is programming literacy, the ability to make digital technology do whatever, within the possible one wants it to do.”

Para quem está envolvido nas disciplinas de Laboratórios Multimédia de Novas Tecnologias da Comunicação esta é uma notícia refrescante :-)

Révolution 2.0

Este é o título de um caderno especial do Courier International, especialmente dedicado à temática da Web 2.0.

Uma vez que esta é uma publicação generalista, o conteúdo é abordado de uma forma não muito profunda mas, ainda assim, apresenta tópicos de reflexão interessantes.

O índice desta publicação (em Francês… helàs) pode ser consultado aqui.

Boas leituras ;-)

Um vídeo muito interessante…

… acerca do que é (mas, fundamentalmente, do que pode ser), um aluno nos dias de hoje.

Para reflexão…

A cidade criativa e a investigação

Ontem, por mero acaso, estive a ver o programa Câmara Clara da RTP2, em que o convidado foi o arquitecto Nuno Portas.
O tema do programa estava subordinado às cidades, ou melhor, era um tema alargado e difuso em que se procuravam respostas para como devem ser e funcionar as cidades neste século.
O convidado era um bom conversador e o tema interessou-me desde logo.
De entre os conceitos abordados houve um que captou a minha atenção: o conceito de cidade criativa. Este conceito, avançado por Landry em 2000, defende que as cidades são criativas quando conseguem ser funcionais em três áreas específicas: talento, tecnologia e tolerância.
De acordo com Nuno Portas este postulado - designado pelos 3 Ts de Landry - é visível, por exemplo, nas cidades de Barcelona, Vancouver e Nova Iorque.
Mas o verdadeiro motivo deste post, apesar de estar intimamente articulado com este conceito das cidades criativas, é outro. A dada altura, o convidado disse que uma verdadeira cidade era uma cidade de cafés, em que as pessoas se juntam, cruzam, discutem e fazem sínteses de ideias.
Ora, este é um dos pressupostos básicos dos objectivos de investigação da equipa Social Media. Numa breve apresentação que fizemos desta equipa, as nossas actividades de investigação foram descritas como “bring(ing) together various topics, of which those linked to social networks, collective intelligence and the promotion of collaboration and sharing between communities, interest us the most.
More specifically, the main aim of this research team is to understand the contribution of technological tools and services in the creation and development of social networks and links, particularly in organizational (institutional) and educational contexts.”
Por isso, não podíamos estar mais de acordo com Nuno Portas: a nossa “cidade” também é uma cidade de cafés, de intercâmbio, de participação e partilha. E isso é visível em todos os projectos em que, no momento presente, estamos envolvidos e também nas ideias que temos para o futuro.
Uma bica para o grupo Social Media, faxabor!

Uma releitura…

… muito interessante do clássico “Being Digital” de Negroponte, em que o autor faz uma análise comparativa das projecções avançadas no livro com a realidade, aqui (onde quer que seja) e agora, mais de uma década depois.

Um facto igualmente interessante suscitado por esta releitura: já se designa por clássico um livro de 1995? :-)

Quem tiver interesse pode ainda ler algumas secções do livro original aqui.

Uma sugestão de Natal

Este é um post invulgar neste blog, em que os temas abordados estão quase sempre relacionados com as questões da tecnologia. No entanto, também é invulgar vermos na lista dos 100 livros mais notáveis do insuspeito New York Times, um livro cujo título é Alentejo Blue. Pela crítica que tive a oportunidade de ler, a autora - apesar de não ser Portuguesa - construiu uma narrativa que discorre acerca das estórias próprias de um meio fechado e conservador, com os seus escândalos e moral muito próprias. Interessante :)
Aqui fica a sugestão. E se não tiver oportunidade de escrever antes neste blog - uma vez que se aproxima uma época de muito trabalho - bom Natal para todos.

Tudo o que é mau faz bem!?

Este é o título - sugestivo, por sinal - do último livro de Steven Johnson. Neste livro o autor defende que, ao contrário do que é defendido pela grande maioria da vox populi, os jogos de vídeo, a televisão e a Internet estão, provavelmente, a tornar-nos mais inteligentes e a contribuir para a agilização dos processos cognitivos que desempenham um papel instrumental e fundamental na aquisição e construção de conhecimento.
Para suportar este argumento o autor socorre-se - traçando um paralelismo interessante com o próprio objecto científico abordado no livro - de um diálogo do filme O Herói do ano 2000, de Woody Allen, em que dois cientistas discorrem sobre a importância da gordura e das natas como base de uma alimentação saudável.
Ora, esta é a pedra de toque de toda a linha narrativa do livro: tudo aquilo que se julga poder fazer mal - à saúde, à inteligência - pode, afinal, ser um elemento decisivo do nosso desenvolvimento.
De entre todos os tópicos abordados neste livro, existe um que me interessa - e fascina - particularmente: a análise comparativa efectuada entre a complexidade narrativa subjacente às séries televisivas com maior audiência na actualidade e no princípio dos anos 80 e 90. De facto, é um exercício que tem tanto de simples como de revelador. A título de exemplo, comparemos a série 24 com a série Dallas e tentemos responder às seguintes questões:

- Quantas personagens “fundamentais” existem em cada série?
- Quantos enredos ou fios narrativos temos de seguir para compreender o argumento?
- Quantos episódios, em média, são necessários para concluir um dado fio narrativo?
- Quantas personagens “fundamentais” interagem e contribuem para a compreensão de um dado fio narrativo?
- Quão concreto é o perfil psicológico das personagens “fundamentais”? Num episódio? Num fio narrativo? Numa série de episódios?
- Que conhecimento prévio - de outros episódios, de outras personagens, de outra(s) série(s) - é preciso mobilizar para compreender um dado fio narrativo?

Todas estas questões, aplicadas às séries referidas, têm respostas bastantes concretas. Com efeito, para seguir e compreender uma série como o 24, é necessário mobilizar recursos e ferramentas cognitivas que, quer em termos de complexidade, quer em termos de esforço cognitivo, não têm comparação com as que são necessárias para compreender, por exemplo, a série Dallas.
Ou seja, será que aquilo que é comummente considerado como tele-lixo terá um efeito tão nocivo no nosso desenvolvimento? Será que esse alegado tele-lixo é hoje melhor do que há 20 anos? Será que os instrumentos cognitivos mobilizados e desenvolvidos num jogo de vídeo apenas têm consequências positivas em termos motores (de point-and-click)? Será que os momentos de tomada de decisão e de projeccção - ao vermos televisão ou ao jogarmos - não são fundamentais no nosso desenvolvimento cognitivo?
Em suma, será que as gorduras e as natas serão assim tão prejudiciais para a nossa saúde?