Taras - capítulo 1 (PJ Harvey)
Antes de tudo, uma clarificação importante.
A verdade é que sou um grande fã da música desta senhora. Talvez por isso - pelo receio de ser pouco imparcial e de poder, inadvertidamente, mostrar uma admiração praticamente saloia - tenho vindo a adiar, consecutivamente, a decisão de escrever um post acerca da PJ Harvey.
Mas chegou a altura de o fazer. Para evitar problemas de maior, digo já do que é gosto menos no seu trabalho.
Os álbuns mais recentes da PJ Harvey são, desde “Is this Desire”, menos crús, menos agressivos e menos despojados.
E, tendencialmente, eu gosto de acordes duros e pouco rendilhados, sem remisturas e trabalho de estúdio. E de vozes poderosas e atormentadas, de conjugações rítmicas que, por se limitarem ao indispensável, nos dão algum espaço criativo enquanto ouvintes e nos deixam, por esse motivo, ser praticamente co-autores do que ouvimos.
No entanto, nos últimos anos, a estrutura do projecto musical da PJ Harvey tem vindo a mudar. Em traços gerais, este tem-se mostrado mais refinado, mais polido, mais trabalhado. Aparentemente, menos espontâneo.
Em termos pessoais, o essencial no que diz respeito à música da PJ Harvey é que apenas mudou a fonte do arrepio na espinha. Se antes essa sensação era provocada pelo giz afiado no quadro, agora insinua-se como o tabaco: entra no corpo e permanece por pouco tempo, como que a exigir (uma e) mais uma audição.
Aqui ficam alguns vídeos que ilustram estas 2 formas - distintas mas reais - de arrepios na espinha.
Comments(1)