Archive for February, 2007

Hello?

O primeiro anúncio do IPhone, transmitido ontem durante a cerimónia de entrega dos Óscares.

Hello? Steve Jobs? Can you send me one of those?

Web 2.0: o vídeo

Já era um bocado tarde quando vi este post no blog do D’Arcy Norman e, talvez por isso, na altura, não lhe dei o devido valor.

No entanto, desde que sou um leitor atento deste blog (que aconselho vivamente a quem quer ler, de forma crítica, estas questões da tecnologia) que me habituei a posts claros, despretensiosos e muitas vezes brilhantes acerca das questões da cultura web e do seu impacto social. E isso, do meu ponto de vista, é um contributo inestimável deste autor: o facto de ultrapassar as visões redutoras e apenas centradas na tecnologia para incluir e valorizar o mais importante da Web que são as pessoas.

E por isso concordo com o D’Arcy Norman: este é um vídeo muito bom em termos de conteúdos e talvez a mais brilhante explicação, até hoje, do que é a Web 2.0. E concordo também, como é óbvio, com a mensagem fundamental do vídeo: “We are the web”. Já com a questão tecno-apocalíptica…

SL soundbytes #1

Como já devem ter tido oportunidade de ler, temos andado envolvidos na exploração de uma nova realidade - na verdadeira acepção da palavra - da Web, o Second Life (SL).
Algumas semanas depois, julgo que já é possível lançar algumas ideias com interesse e que podem ser um referencial exploratório dos potenciais impactos deste ambiente, numa série de dimensões.

A dimensão tecnológica
Do ponto de vista tecnológico, o SL é uma plataforma muito interessante. Muito embora seja ainda uma tecnologia proprietária, a recente abertura do código da aplicação cliente veio abrir novas perspectivas de evolução e integração, potenciadas pela utilização de standards abertos como o Apache e o Squid. E há a promessa de abertura do código do cliente e do servidor quando se atingir um nível de estabilização satisfatório. A ver vamos…

A dimensão da interacção
Na minha opinião, um ponto forte do SL. Intimamente ligada à arquitectura de participação e colaboração da Web 2.0., a interacção é materializada através de formas de comunicação acessíveis e apelativas que não comprometem a experiência imersiva e que capitalizam, de uma maneira ainda não muito objectiva mas plural, a informalidade da experiência.

A dimensão educativa
Um novo mundo. Nem mais. A virtualização - há quem não goste da expressão mas é, efectivamente, uma virtualização - dos ambientes de aprendizagem não é uma novidade. No entanto, há todo um novo e vasto conjunto de recursos e estratégias pedagógicas e curriculares passíveis de implementação, potenciadas pelas características deste ambiente. De um ponto de vista pessoal, o que mais me interessa no SL é essa outra face dos contextos de aprendizagem, mais informais e relacionados com os vínculos sociais e de partilha. Nestes aspectos concretos, esta parece-me uma ferramenta com muito potencial.

A dimensão (ciber)cultural
O SL é um ambiente virtual que, do ponto de vista da cibercultura, implementa uma série de ideias do imaginário ciberpunk que não são necessariamente novas mas que eram apenas ideias :-) . Podem encontrar um resumo excelente dessas questões aqui. Mas há ainda a questão da propalada indústria dos conteúdos. Em muitos aspectos, o SL assume-se como um veículo promotor de uma efectiva indústria de conteúdos através da criação e comercialização de bens não tangíveis que geram um retorno financeiro.

A dimensão da experiência
Esta dimensão está, infelizmente, relacionada com o hype associado ao SL. Deste modo, sai prejudicada pelas constantes actualizações e pouca estabilidade da grid. Ainda assim é uma das dimensões mais apelativas deste ambiente. Não é muito difícil de explicar mas sugiro que experimentem!

Uma releitura…

… muito interessante do clássico “Being Digital” de Negroponte, em que o autor faz uma análise comparativa das projecções avançadas no livro com a realidade, aqui (onde quer que seja) e agora, mais de uma década depois.

Um facto igualmente interessante suscitado por esta releitura: já se designa por clássico um livro de 1995? :-)

Quem tiver interesse pode ainda ler algumas secções do livro original aqui.