Archive for September, 2006

Quando era mais novo…

…eu e os meus amigos também tentávamos imitar as jogadas do MJ.

E é essa vontade - de um dia conseguir também criar movimentos, ideias e imagens e que constitui, no fundo, o fio narrativo deste vídeo - que nos deve guiar em quase todos os aspectos da nossa vida, independentemente da nossa idade.

Adaptando a punch line da publicidade: let your dreams speak.

Só eu sei porque não fico em casa…

Uma sensação inesquecível: a milhares de quilómetros de distância, com uma oferta televisiva escassa (para ser simpático), abrir o site de um jornal desportivo Português e ver que o meu clube me deu mais uma alegria :-)
Alguém me envia o link do golo?

Tudo o que é mau faz bem!?

Este é o título - sugestivo, por sinal - do último livro de Steven Johnson. Neste livro o autor defende que, ao contrário do que é defendido pela grande maioria da vox populi, os jogos de vídeo, a televisão e a Internet estão, provavelmente, a tornar-nos mais inteligentes e a contribuir para a agilização dos processos cognitivos que desempenham um papel instrumental e fundamental na aquisição e construção de conhecimento.
Para suportar este argumento o autor socorre-se - traçando um paralelismo interessante com o próprio objecto científico abordado no livro - de um diálogo do filme O Herói do ano 2000, de Woody Allen, em que dois cientistas discorrem sobre a importância da gordura e das natas como base de uma alimentação saudável.
Ora, esta é a pedra de toque de toda a linha narrativa do livro: tudo aquilo que se julga poder fazer mal - à saúde, à inteligência - pode, afinal, ser um elemento decisivo do nosso desenvolvimento.
De entre todos os tópicos abordados neste livro, existe um que me interessa - e fascina - particularmente: a análise comparativa efectuada entre a complexidade narrativa subjacente às séries televisivas com maior audiência na actualidade e no princípio dos anos 80 e 90. De facto, é um exercício que tem tanto de simples como de revelador. A título de exemplo, comparemos a série 24 com a série Dallas e tentemos responder às seguintes questões:

- Quantas personagens “fundamentais” existem em cada série?
- Quantos enredos ou fios narrativos temos de seguir para compreender o argumento?
- Quantos episódios, em média, são necessários para concluir um dado fio narrativo?
- Quantas personagens “fundamentais” interagem e contribuem para a compreensão de um dado fio narrativo?
- Quão concreto é o perfil psicológico das personagens “fundamentais”? Num episódio? Num fio narrativo? Numa série de episódios?
- Que conhecimento prévio - de outros episódios, de outras personagens, de outra(s) série(s) - é preciso mobilizar para compreender um dado fio narrativo?

Todas estas questões, aplicadas às séries referidas, têm respostas bastantes concretas. Com efeito, para seguir e compreender uma série como o 24, é necessário mobilizar recursos e ferramentas cognitivas que, quer em termos de complexidade, quer em termos de esforço cognitivo, não têm comparação com as que são necessárias para compreender, por exemplo, a série Dallas.
Ou seja, será que aquilo que é comummente considerado como tele-lixo terá um efeito tão nocivo no nosso desenvolvimento? Será que esse alegado tele-lixo é hoje melhor do que há 20 anos? Será que os instrumentos cognitivos mobilizados e desenvolvidos num jogo de vídeo apenas têm consequências positivas em termos motores (de point-and-click)? Será que os momentos de tomada de decisão e de projeccção - ao vermos televisão ou ao jogarmos - não são fundamentais no nosso desenvolvimento cognitivo?
Em suma, será que as gorduras e as natas serão assim tão prejudiciais para a nossa saúde?

O nome do blog…

nitrato

Quando as viagens para o Algarve demoravam cerca de 6 horas, quem ia sentado no banco de trás do carro tinha de reparar, mesmo involuntariamente, nesta figura sombria do que parecia ser uma seara e um cavaleiro.

Essa figura publicitava um produto - o nitrato de sódio, proveniente do Chile - que ainda hoje é usado, sobretudo devido às suas potencialidades como fertilizante agrícola. Mas este composto é também utilizado noutras situações, designadamente para o fabrico de explosivos e para a conservação de produtos alimentares.

Fazendo o paralelismo para este blog, a ideia principal é que ele possa ser, da mesma forma, um fertilizante e um agente catalítico do caos pacífico que são os nossos trajectos - pessoais, profissionais, entre outros - i.e., da nossa viagem.

Espero que seja bom trabalhar no campo :-) !